As Pré-Conferências Setoriais de Cultura têm caráter mobilizador,
reflexivo, propositivo e eletivo. São instâncias de articulação local e regional de agentes culturais de cada uma das áreas artísticas e de patrimônio envolvidas.
Têm como objetivo debater e encaminhar propostas para as políticas públicas
de cultura e as políticas setoriais específicas para cada um dos segmentos envolvidos no processo, contribuindo com a formulação dos Planos Nacionais Setoriais.
Seguem as propostas aprovadas no GT AUDIOVISUAL, democraticamente construida na
Pré-Conferência Setorial de Audiosual realizada no Centur, no dia
29 de Janeiro.
TEMA GERAL: Cultura, Diversidade, Cidadania e Desenvolvimento
EIXO I – PRODUÇÃO SIMBÓLICA E DIVERSIDADE CULTURAL
Criação de políticas de formação de mão-de-obra (através de centros especializados como por exemplo
o NPD), formação de público (através especialmente de ações
cineclubistas), e formação e atualização de técnicos e do
público para o audiovisual, democratizando instrumentos e ações
públicos em todos os municípios do Estado.
EIXO II - CULTURA, CIDADE E CIDADANIA
Fortalecimento e democratização das gestões, ações e programas de difusão (como exemplo o CINE +
CULTURA); inclusão do AUDIOVISUAL nos parâmetros curriculares do
Ministério da Educação; descentralização - com garantia de
financiamento - dos programas de fomento ao registro das atividades
de audiovisual e produção de bens simbólicos em geral, com o
resgate da sua memória histórica, produzindo uma cartografia do
audiovisual na Região Norte.
EIXO III - CULTURA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Estabelecimento de cotas específicas para formação, produção e difusão do Fundo Setorial Audiovisual,
com a institucionalização, através de leis específicas, do
programa de editais de prêmio estímulo em todos os níveis
(federal, estadual e municipal) contemplando todas as etapas do
processo produtivo (roteiro, produção, finalização, difusão,
etc..), estabelecendo cotas regionais que democratizem o processo e
contemplem os iniciantes, estimulando programas de capacitação para
elaboração de projetos e captação de recursos para produção
audiovisual que contemple especialmente o Norte.
IV - CULTURA E ECONOMIA CRIATIVA
Estabelecimento de política pública em todos os níveis (federal, estadual e municipal) de
desenvolvimento da economia audiovisual na Região Norte, com a
criação, por exemplo de incubadoras de empresas, comissões de
filmes, laboratórios digitais, coletivos de produção independente,
etc, em parceria com bancos oficiais, instituições públicas, etc,
aliando a profissionalização dos técnicos audiovisuais com
normatização de mercado, estruturação de tabelas e serviços
técnicos, regularização na DRT, nos sindicatos e extensão da
Previ-Cultura.
V - GESTÃO E INSTITUCIONALIDADE DA CULTURA
Fortalecimento do papel do Estado enquanto articulador e executor das políticas públicas, com
garantias de controle social, estimulando a criação de secretarias
de cultura, inexistentes hoje na maioria dos municípios brasileiros,
dotando-as de orçamento próprio como estipula a PEC 150
Moção
Referendar as propostas aprovadas na Conferência Nacional de Comunicação, a saber:
· Apoiar a criação por lei de uma política que garanta a veiculação de conteúdos nacionais e
regionais, com produção independente, nos meios de comunicação
eletrônicos, independentemente da plataforma em que operam, conforme
assegurada pela Constituição Federal de 1988. Assegurada a plena
liberdade de escolha desta produção pelos meios eletrônicos. A lei
deve estar baseada nos princípios de reconhecimento e respeito dos
direitos humanos, universalidade e acessibilidade ao direito à
comunicação, igualdade, equidade, respeito à diversidade, respeito
aos direitos autorais da mulher, promoção da justiça social,
laicidade do Estado e transparência dos atos públicos.
· As mídias radio - televisivas, jornais, revistas, cinema, devem contemplar a produção e conteúdos
locais e regionais, sendo que pelo menos 50% dos canais comerciais
escolhidos pelo dono da plataforma de distribuição devem ser de
produção brasileira.
· Apoiar e incentivar a produção independente no Brasil, através de editais é ampliação dos
preceituais de fundos setoriais de apoio e investimento, de modo a
construir políticas para o fomento de produção de conteúdo
audiovisual,
levando em consideração a produção local, regional independente,
realizada por MPES, micros, pequenas e médias empresas, cujos
acionistas não tenham participação acionária em empresas
emissoras e distribuidoras e que tenham financiamento viáveis
garantindo a veiculação adequada de acordo com o público-alvo.
· Estabelecer que os meios de comunicação veiculem conteúdos de caráter educativo, cultural, informativo e
ambiental de países latino-americanos, estabelecendo a política de
integração da América Latina. O conteúdo deve ser transmitido nas
suas línguas originais, com opções de dublagem, legenda e tradução
simultânea e respeitando a diversidade regional, étnico-racial,
religiosa, cultural, geracional de gênero, entre outras.
· Criar um sistema público de distribuição física de conteúdos produzidos pelas redes de
comunicação e cultura e garantir que a produção cultural
financiada com dinheiro público seja exibida e distribuída de forma
livre em creative commons.
· Criar um mecanismo formal que garanta a distribuição dos conteúdos brasileiros, locais e regionais, com a
proibição de controle por determinado grupo de programadores de
conteúdo com mais de 25% da grade de programação em qualquer
plataforma fechada de distribuição (MMDS, DTH, TV a Cabo, Celular
etc.), observando a vedação à produção de conteúdo pela
empresas de telecomunicações para impedir o desequilíbrio
econômico, exceto canais de difusão de conteúdo da programação.
· Estimular a produção de conteúdo nacional nas diversas mídias e suporte garantindo estimulando a
multiprogramação nos sistemas digitais de comunicação, inclusive
com apoio a produtores independentes e regionais.
· Desenvolver políticas para a criação de núcleos comunitários de comunicação com a perspectiva de
fornecer os aparatos técnicos e instrumentais permitindo que a
sociedade construa, socialize e discuta suas próprias produções.